O que quarenta anos dentro das empresas me ensinaram sobre GRC

Vivências reais sobre governança, riscos, compliance, controles internos e auditoria

Depois de tantos anos observando de dentro a estrutura das empresas, cheguei a uma conclusão que parece simples, mas que muita gente ainda não colocou em prática: o que chamamos de GRC, governança, riscos e compliance, só funciona quando está integrado à rotina e ancorado na cultura. Falar de integridade, riscos e controles é relativamente fácil em relatórios, apresentações e discursos institucionais. Sustentar esses pilares no dia a dia, especialmente diante de pressões internas, é o verdadeiro desafio. E é nesse espaço entre o discurso e a prática que as falhas costumam se instalar.

Aprendi ao longo da trajetória que muitas dessas falhas não são fruto de má-fé. Elas nascem em ambientes permissivos, silenciosamente coniventes com pequenas brechas, e se multiplicam onde a estrutura não tem coragem para sustentar seus próprios princípios. O que compartilho aqui não é teoria. É vivência.

Riscos: só os que doem chamam atenção

Já ouvi inúmeras vezes a frase: “aqui nunca aconteceu nada”. Ao longo dos anos aprendi a interpretar essa afirmação com cuidado. Ela pode significar três coisas muito diferentes. Pode ser que os riscos estejam realmente bem controlados. Pode ser que ninguém esteja olhando para onde deveria. Ou pode ser que algo já esteja acontecendo e simplesmente ainda não foi descoberto.

Vi empresas subestimarem riscos relevantes apenas porque nunca haviam se materializado antes. Até que um dia o improvável virou realidade e o custo foi altíssimo. Risco ignorado é oportunidade para o problema crescer em silêncio. A gestão de riscos precisa sair do papel e entrar nas decisões do dia a dia: mapear, tratar, priorizar e revisar com frequência. Não como exercício burocrático. Como ferramenta de gestão.

Controles internos: um sistema só é forte se não depender de quem está no poder

Já identifiquei falhas graves em controles internos que teoricamente existiam. O problema, nesses casos, não era a ausência do controle. Era sua fragilidade estrutural: ele dependia de quem ocupava o topo da hierarquia para funcionar. E quando quem está no topo decide que as regras não se aplicam a si mesmo, o controle deixa de ser preventivo e vira papel assinado.

Em uma das situações mais emblemáticas que vivenciei, um alto executivo tinha acesso irrestrito a processos que envolviam autorização e liquidação de valores relevantes em seu próprio benefício. O controle existia formalmente. Mas ninguém ousava questioná-lo. Controle que não resiste à autoridade não é controle. É ilusão de segurança. E ilusões de segurança são, talvez, mais perigosas do que a ausência de qualquer controle, porque criam uma falsa sensação de proteção.

Auditoria: perguntar onde ninguém quer responder

O papel da auditoria não é apenas olhar para o que foi feito. É investigar o que deixou de ser feito, e por quê. É incomodar, provocar, tirar o gestor da zona de conforto, acender alertas antes que os prejuízos apareçam no balanço. A força da auditoria não está apenas nos testes e nos papéis de trabalho. Está na independência real para reportar o que precisa ser dito, mesmo quando isso desagrada.

E aqui reside uma das lições que considero mais importantes: não basta ter uma área de auditoria. É preciso que ela tenha voz, acesso direto a quem decide e posicionamento correto dentro da estrutura de governança corporativa. Uma auditoria subordinada ao mesmo gestor que audita é uma contradição que nenhum procedimento formal consegue resolver.

Compliance: mais que regra, é cultura colocada em prática

Compliance é, ao mesmo tempo, o tema mais falado e um dos menos compreendidos do ambiente corporativo. Já vi códigos de conduta impecáveis, cartilhas premiadas, programas estruturados com todos os elementos formais. E uma realidade completamente diferente no comportamento dos líderes. Compliance não se mede pelo número de políticas criadas nem pela quantidade de treinamentos realizados. Mede-se pela coragem de aplicar as regras quando dói. Inclusive, e especialmente, para quem está no topo.

Se o compliance não for vivenciado pela liderança, ele é apenas um protocolo de fachada. Um conjunto de documentos que existe para ser apresentado em auditorias, não para orientar decisões. E programas de fachada não protegem organizações. Apenas criam a ilusão de que elas estão protegidas.

Governança corporativa: o lugar onde tudo deveria convergir

Se a governança falha, todo o resto desmorona junto. Já testemunhei estruturas em que o conselho de administração era apenas figurativo, com membros que pouco entendiam do negócio ou que estavam ali em razão de compromissos políticos. Nessas situações, não há controle, gestão de riscos, compliance ou auditoria que resolva. Porque o problema está na base.

Governança é mais do que formalidade. É coerência, independência, transparência e responsabilização. Quando esses elementos estão presentes de verdade, o GRC tem onde se apoiar. Quando não estão, ele vira discurso bonito, capaz de impressionar relatórios, mas incapaz de proteger a organização quando ela mais precisa.

Uma reflexão final

Depois de tantos anos nesse campo, sigo aprendendo todos os dias. Mas se há algo que carrego com certeza é a convicção de que GRC não é burocracia. É estratégia. É proteção. É compromisso com a longevidade do negócio.

Não existe empresa à prova de riscos. Mas existem empresas preparadas para lidar com eles. Essa preparação começa onde muita gente ainda não quer mexer: na cultura, na estrutura e na forma de tomar decisões. Porque, no final das contas, nenhum documento, nenhum sistema e nenhuma política substitui a coragem de fazer o que é certo quando fazer o certo custa alguma coisa.

Eder Carvalho Magalhães

Consultor em Governança, Riscos, Controles Internos, Compliance e Auditoria

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Código de Ética e Conduta

O Código de Ética e Conduta reflete os padrões de comportamento adotados por nossa empresa. Seus princípios devem orientar cada colaborador, parceiro e a diretoria, em suas atividades profissionais.

Introdução:

A Comrades Consultoria está comprometida em manter o mais alto padrão de conduta ética, com o cumprimento intransigente das leis vigentes em cada um dos mercados em que atua. A consecução desses objetivos depende da compreensão, por nossos colaboradores e parceiros, da cultura, história, ambiente jurídico e institucional, inerentes a cada jurisdição.

Conformidade com a lei

A conformidade está intimamente ligada ao compliance, o ato de combinar crenças, atitudes e comportamentos, para que todos que estejam alinhados às normas internas da empresa e de seus clientes, bem como às leis. Em outras palavras, estar em conformidade significa atender aos requisitos legais e leis vigentes em todos os locais em que a empresa atua, quer no Brasil, quer no exterior. Nada mais é do que cumprir o combinado!

Normas ética e conduta

A conduta e o relacionamento entre colaboradores, bem como o relacionamento da Comrades Consultoria com concorrentes, parceiros e agentes públicos, deve ser pautado pelos princípios aqui contidos.

Direitos Humanos e de trabalho

A Comrades Consultoria não tolera nenhuma forma de violação aos direitos humanos, seja sob a forma de preconceito, discriminação ou assédio, tanto no relacionamento entre colaboradores quanto entre Colaboradores e terceiros, seja em virtude de raça, cor, religião, filiação política, nacionalidade, sexo, orientação sexual, idade ou condição física. Nesse sentido, a Comrades Consultoria não permite campanhas ou ações de busca de adesão de colaboradores relacionadas a temas de natureza política, ou religiosa no ambiente de trabalho.

 

Responsabilidade Social

A Comrades consultoria está comprometida com o apoio a ações de responsabilidade social e promoção do desenvolvimento sustentável, com respeito aos direitos humanos, não tolerando a utilização de mão de obra infantil ou forçada em qualquer nível de sua organização, ou de sua cadeia de fornecimento.

Foco nos clientes

O compromisso de entregar bons resultados ao cliente é parte fundamental da nossa cultura. Assim, no tratamento com os clientes, os colaboradores devem conduzir-se de forma ética e eficiente, transmitindo informações claras e úteis, dentro do prazo prometido ou esperado, destacando com clareza os fatores de risco inerentes ao projeto e delineando uma estratégia adequada de ação sempre lastreada nos princípios e padrões de conduta previstos neste Código.

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Registros Contábeis e Financeiros

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